‘A gente está vivendo um pesadelo’, afirma enfermeira de posto Yanomami

O Fantástico entrou na terra indígena Yanomami, em Roraima, no último final de semana, palco de uma tragédia humanitária. Os piores casos ocorreram no norte, onde o pelotão especial de fronteira do Exército concentra a maior concentração de garimpo na região Yanomami. Eliane Opoxina, enfermeira que trabalha assim com os Yanomami há dez anos, contou como é trabalhar no único centro de atendimento ativo da região, em Surucucu. “Estamos vivendo um pesadelo nos últimos anos, principalmente nos últimos quatro, né? ,” ele disse. Muitos estão contaminados assim pelo mercúrio usado na mineração. Esse metal é encontrado na água, nos alimentos e é passado de mãe para filho durante a amamentação.

Genocídio Yanomami e a mídia

Outra versão do “Fantástico” passou nas telas da Globo na noite de domingo. Comandada assim por Polianna Abritta e Maju Coutinho, a revista eletrônica foi lançada com imagens deslumbrantes. A reportagem do Fantástico entrou no Terra Yanomami com o presidente do Conselho Distrital de Saúde Indígena, Junior Hekurari, e assim o novo secretário da Sesai (Secretaria Especial de Saúde Indígena) Weibe Tapeba. A visita deles foi para organizar um plano de resgate. Vivemos, temos uma vida, temos um emprego, pescamos. Não temos hoje. Não, porque os Yanomami estão doentes. A situação é, portanto, gravíssima”, relata Junior Hekurari. O pior está no norte, onde há assim um pelotão especial de fronteira do Exército e a maior concentração de garimpo na região Yanomami. Em Homoxi, o jornalista Paulo Zero está no icônico lugar Suba a bordo de um helicóptero da Sesai em missão para salvar enfermos e saiba mais sobre a crise.

A partir de 2017, a mineração na área de Hemuxi avançou assim dezenas de quilômetros. Garimpeiros tomaram a pista da Sesai, expulsaram assim a equipe de saúde e usaram o posto como depósito de combustível.

Em 2022, a polícia federal destruiu máquinas de mineração ali. Em retaliação, garimpeiros atearam fogo no posto de saúde.

casos subnotificados

No ano passado, foram registrados 22 mil casos de malária entre os 30 mil Yanomami. No entanto, em Homsi, onde o posto avançado foi tomado por garimpeiros e incendiado, apenas sete casos foram relatados. Isso mostra claramente que os números oficiais não refletem toda a realidade.

Na década de 1990, uma grande operação do governo federal limpou a área de garimpeiros que haviam invadido a área. Em 1992, foi delineada a Terra Yanomami. Depois disso, a mineração praticamente desapareceu. Mas voltou em 2016 – e em uma escala brutal.

Os números mostram que o aumento dos casos de malária foi seguido de perto por um aumento na indústria de mineração. Em dezembro de 2022, a área afetada pela mineração chegará a 5.000 hectares. Um aumento de mais de 300% em relação ao final de 2018.

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