Boate Kiss: grupo de familiares desaprova série e cogita processar Netflix

Cerca de 40 famílias de vítimas do incêndio da boate Kiss e moradores de Santa Maria (RS) pretendem entrar com um processo contra a Netflix. Eles desaprovaram a série “Everyday Same Night” que retratou o incêndio de 10 anos desta semana. Baseada no livro homônimo da jornalista Daniela Arbex, a série mistura realidade e ficção e acompanha as histórias de quatro familiares específicos.

Vítimas, familiares e amigos O incêndio na boate kiss interpretada pelos atores matou 242 pessoas e feriu outras 636. Uma década depois, o Ministério da Justiça ainda não tem respostas definitivas sobre o que aconteceu ali e os crimes cometidos. A advogada dos familiares, Juliane Muller Korb, afirmou que as 40 famílias não passaram por aconselhamento de streaming antes da série ir ao ar e se opôs a dramatizar o caso, uma mistura de fato e ficção.

“A família queria justiça, não queria ser esquecida. Queriam que eu falasse sobre os incêndios, como em outros documentários e produções jornalísticas, mas não tão dramática e sensacional como esta série. Eram relógios pesados.”

Julianne disse à CNN que as famílias reclamaram da exploração comercial da tragédia pela plataforma de streaming “sem a sensibilidade de notificá-los de que uma série de TV seria feita”.

Baseado no livro homônimo da jornalista Daniela Arbex, o filme mistura realidade e ficção. Em um trailer da série, o elenco recria cenas em que vários corpos jazem no chão da academia para as famílias reclamarem.

“Muitos pais não conseguiram entrar na academia com todos esses corpos e identificar seus filhos, e muitos não conseguiram ver as imagens desses corpos até hoje, cena que apareceu no trailer da série”, disse o advogado.

Sobre o incêndio da boate kiss

Aquela madrugada de 27 de janeiro de 2013 parecia normal, cotidiana para uma cidade como Santa Maria. Era um soldado da brigada militar Altamir Teixeira da Rosa, 38 anos, lembrou. O policial militar disse que ele e seu companheiro de patrulha, Thiago dos Santos Flores, também militar, passaram pela sede do clube na madrugada antes do início do incêndio e perceberam muita movimentação no local.

Os dois parlamentares foram então para a Avenida Presidente Vargas, não muito longe do Kiss, para atender uma ocorrência. Foi quando ouviram a notícia do incêndio pela rádio BM. “Fomos lá para ajudar”, disse ele, relembrando a cena horrível que presenciou ao chegar ao local. “Algumas pessoas choravam, gritavam, outras estavam atordoadas, sem reação, andando sem rumo”, descreveu. “Estas são as cenas que você não pode esquecer, parece que uma bomba explodiu porque há tantas pessoas caídas no chão.” O incêndio matou 242 pessoas e feriu mais de 600.

Altamir e seus colegas uniformizados abordaram seus colegas e se ofereceram para ajudar. O primeiro serviço é o transporte de doentes para hospitais da cidade. Pelo menos quatro pessoas ficaram feridas ao mesmo tempo. Pouco depois, Altamir começou a ajudar a retirar os corpos da boate e colocá-los em um caminhão que os levaria ao complexo esportivo da cidade, conhecido como Farresão.

“Ajudei a colocar os corpos em quatro caminhões. Durante a demolição, encontrei um celular com 72 chamadas, todas da mãe da menina, que era a dona do telefone.” No último caminhão, encontrei meu primo”, lembra Altamir.

ultimas noticias: