Golpe em nome do Banco Central cobra taxa para liberar dinheiro: como identificar?

O Banco Central não cobra taxas nem pede transferências para liberar dinheiro, empréstimos ou valores esquecidos; qualquer contato que condicione o recebimento a um pagamento antecipado deve ser tratado como sinal de golpe.

Publicado em 23/09/2026 por Rodrigo Duarte.

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Uma mensagem informa que existe um valor disponível, mas que é necessário pagar uma pequena taxa para liberar o dinheiro. Em outros casos, o contato afirma que uma transferência está bloqueada, que existe uma dívida pendente ou que um servidor do Banco Central precisa concluir algum procedimento. A aparência de comunicação oficial é justamente uma das ferramentas utilizadas para convencer a vítima.

Golpe em nome do Banco Central cobra taxa para liberar dinheiro: como identificar?
Créditos: I.A.

O Banco Central atualizou em julho de 2026 suas orientações sobre fraudes que utilizam indevidamente o nome da instituição. A regra mais importante para reconhecer esse tipo de golpe é simples: o BC não cobra dívidas, taxas ou transferências e não solicita pagamento para liberar operações financeiras.

O órgão também não pede senhas, dados bancários ou recadastramento por meio de contatos inesperados. Por isso, mesmo uma mensagem com logotipo, nome de servidor, número de protocolo ou linguagem aparentemente técnica não deve ser considerada verdadeira apenas pela aparência.

Pedido de pagamento antecipado é um dos principais sinais de fraude

O golpe costuma criar uma justificativa para fazer a vítima enviar dinheiro antes de receber algo de valor. Pode aparecer uma suposta taxa administrativa, custo de liberação, imposto, seguro, despesa de cartório ou qualquer outra cobrança apresentada como condição indispensável para concluir a operação.

Esse padrão já é conhecido em falsos empréstimos. Uma empresa ou pessoa promete crédito em condições atraentes e, antes de liberar o dinheiro, solicita um depósito para custear alguma etapa do processo. O Banco Central alerta que pedidos de pagamento antecipado para obter empréstimos são um forte sinal de fraude.

A mesma lógica aparece em abordagens relacionadas a dinheiro supostamente retido pelo próprio BC. O golpista pode afirmar que o consumidor possui um crédito, uma indenização ou determinado valor bloqueado e que precisa transferir uma quantia para receber o saldo maior posteriormente.

O Banco Central não realiza esse tipo de cobrança. Também não atua como intermediário para cobrar dívidas de consumidores, calcular parcelas, aprovar redução de juros ou liberar valores mediante pagamento prévio. Quando uma abordagem reúne promessa de dinheiro e exigência de depósito antecipado, a recomendação é interromper o contato antes de fazer qualquer transferência.

Nome de servidor e número de protocolo não comprovam que o contato é verdadeiro

Os golpes podem ir além de mensagens genéricas. O próprio Banco Central orienta a população a desconfiar de contatos feitos em seu nome, inclusive quando os criminosos utilizam nomes de servidores da instituição ou apresentam supostos números de protocolo.

Essas informações podem ser copiadas de documentos, páginas públicas ou outras fontes e inseridas em mensagens para aumentar a aparência de legitimidade. O mesmo vale para imagens com logotipo, brasões, assinaturas, documentos em PDF e páginas que imitam a identidade visual do governo.

Há um critério útil para avaliar uma ligação atribuída ao Banco Central. Segundo a instituição, o BC somente liga para uma pessoa quando ela própria entrou em contato anteriormente. Uma ligação inesperada que surge para anunciar valores disponíveis, cobrar uma taxa ou oferecer redução de uma dívida, portanto, não corresponde ao procedimento informado pelo órgão.

Também é um sinal de alerta quando o suposto atendente tenta impedir que a pessoa confirme a informação pelos canais oficiais, cria urgência para o pagamento ou afirma que a oportunidade será perdida em poucos minutos. A pressão reduz o tempo disponível para verificar a história e aumenta a chance de uma decisão impulsiva.

Valores a Receber não exige nenhuma taxa para consultar ou resgatar dinheiro

O Sistema de Valores a Receber (SVR) costuma ser usado como pretexto em tentativas de fraude porque o serviço realmente permite descobrir dinheiro esquecido em bancos e outras instituições financeiras. Justamente por isso, criminosos podem enviar mensagens afirmando que localizaram um saldo e oferecer um link para consultar ou liberar o valor.

O serviço oficial é gratuito. Não existe cobrança para verificar se há dinheiro disponível nem para solicitar a devolução pelos procedimentos oferecidos no sistema. O Banco Central também informa que não envia links e não entra em contato com cidadãos para tratar dos valores disponíveis ou confirmar dados pessoais.

No SVR podem aparecer, entre outros casos, saldos de contas encerradas, recursos não procurados de consórcios, valores de cooperativas de crédito, determinadas tarifas cobradas indevidamente e saldos disponíveis em contas de pagamento encerradas.

A existência real do sistema, portanto, não torna verdadeira uma mensagem que use seu nome. Se alguém afirma que existe dinheiro no Valores a Receber e solicita Pix, transferência, senha ou pagamento de uma tarifa para fazer o resgate, a abordagem não corresponde ao funcionamento informado pelo Banco Central.

Senhas e dados bancários também não devem ser entregues em contatos inesperados

O golpe nem sempre começa pedindo dinheiro. Em algumas abordagens, o objetivo inicial é obter informações suficientes para acessar contas ou preparar uma segunda etapa da fraude. O criminoso pode solicitar senha, código de segurança, dados bancários, atualização cadastral ou confirmação de informações pessoais.

O Banco Central afirma que não pede senhas, dados bancários, cadastramento ou recadastramento em sistemas por meio desses contatos. O consumidor deve desconfiar especialmente de links enviados por WhatsApp, SMS, e-mail ou redes sociais que direcionem para páginas onde essas informações precisam ser preenchidas.

Antes de fornecer qualquer dado, é mais seguro encerrar o contato e procurar a instituição envolvida usando o aplicativo oficial, o endereço digitado diretamente no navegador ou outro canal obtido independentemente da mensagem recebida.

Alguns golpes também alegam que existe uma parceria com o Banco Central para renegociar dívidas, reduzir juros ou recuperar dinheiro. O BC esclarece que não participa de renegociação de débitos, não calcula parcelas para empresas e não aprova reduções de valores, mesmo quando o suposto intermediário apresenta protocolos ou documentos para sustentar a história.

Quem fez o pagamento deve procurar o próprio banco rapidamente

Se a transferência já foi realizada, a orientação do Banco Central é entrar em contato com a instituição financeira assim que a fraude for percebida. O banco poderá verificar quais medidas são possíveis de acordo com o meio utilizado e com as circunstâncias da operação.

Também é recomendável registrar boletim de ocorrência e reunir os elementos relacionados ao golpe, como mensagens, comprovantes de pagamento, números de telefone, nomes utilizados pelos criminosos, endereços de páginas e documentos recebidos. Esses registros ajudam tanto na comunicação com a instituição financeira quanto na investigação do caso.

Se o problema não for solucionado, o Banco Central informa que a vítima pode procurar o Procon ou o Poder Judiciário e, quando a reclamação envolver uma instituição supervisionada, também utilizar o canal de reclamações do próprio BC.

A prevenção, porém, começa antes do pagamento. Uma comunicação que utiliza o nome do Banco Central não se torna legítima por apresentar logotipo, protocolo ou linguagem formal. Se houver cobrança de taxa, pedido de transferência, solicitação de senha ou promessa de liberar dinheiro mediante pagamento antecipado, o comportamento contradiz diretamente as orientações oficiais. Nessa situação, interromper o contato e confirmar a informação por um canal independente é a forma mais segura de evitar que a promessa de receber dinheiro termine em prejuízo.

ESCRITO POR: Rodrigo Duarte - Jornalista formado pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), com especialização em Marketing Digital.