Empréstimo com veículo em garantia do BV: receber até 120% do carro aumenta o risco?

Banco permite contratar até 120% do valor avaliado do veículo e pagar em até 72 meses, mas a dívida pode superar o próprio bem usado como garantia.

Publicado em 27/08/2026 por Rodrigo Duarte.

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Usar um carro como garantia costuma permitir acesso a valores maiores e juros mais baixos do que os encontrados em muitos empréstimos pessoais. No BV, existe uma característica que chama ainda mais atenção: o crédito pode chegar a até 120% do valor avaliado do veículo.

Empréstimo com veículo em garantia do BV: receber até 120% do carro aumenta o risco?
Créditos: I.A.

Na prática, um carro avaliado em R$ 50 mil pode permitir uma contratação de até R$ 60 mil, dependendo da análise de crédito e das condições oferecidas ao cliente.

Receber mais dinheiro do que o próprio veículo vale pode ser útil para uma despesa elevada, reorganização financeira ou investimento em um negócio. Mas existe um efeito que não deve passar despercebido: a dívida pode começar maior do que o patrimônio colocado em garantia.

O carro continua sendo utilizado normalmente durante o contrato, porém fica alienado ao banco. Se houver inadimplência, existe risco de perda do veículo e, dependendo do saldo devedor e do valor obtido com sua venda, ainda pode restar dívida para pagar.

Como é possível receber 120% do valor do carro?

O veículo não funciona como o único critério utilizado pelo banco.

O BV também analisa renda, histórico financeiro, capacidade de pagamento, características do automóvel e perfil do cliente antes de definir quanto poderá ser liberado.

Por isso, os 120% representam um teto, não uma promessa.

Imagine um veículo avaliado em R$ 80 mil. O limite máximo anunciado permitiria chegar teoricamente a R$ 96 mil.

O banco pode aprovar R$ 96 mil, R$ 70 mil, R$ 40 mil ou até recusar a operação, dependendo da análise.

A modalidade aceita atualmente veículos leves e pesados com até 19 anos de fabricação e utilitários com até oito anos, respeitadas as demais condições. O veículo deve estar em nome do tomador, com documentação regularizada e em boas condições.

Em regra, precisa estar quitado. O BV também admite determinadas operações envolvendo veículos que ainda estejam financiados pelo próprio banco.

Ter uma garantia ajuda a reduzir os juros

Ao receber um veículo como garantia, o banco assume menos risco do que em um empréstimo pessoal totalmente sem garantia.

Essa diferença ajuda a explicar as taxas menores.

O BV anuncia atualmente juros a partir de 1,71% ao mês para a modalidade, mas o percentual efetivo depende do cliente e da proposta aprovada.

Também podem existir tarifas, impostos e despesas relacionadas à operação.

Por isso, a comparação deve ser feita pelo Custo Efetivo Total, o CET, e não apenas pela menor taxa encontrada na publicidade.

Um empréstimo com juros aparentemente baixos pode ficar mais caro quando entram custos como avaliação do veículo, tributos e outras cobranças previstas no contrato.

O prazo pode chegar a 72 meses, com parcelas fixas pelo sistema de amortização utilizado na operação.

Seis anos ajudam a diminuir a prestação, mas também prolongam bastante a dívida.

Pegar mais do que o carro vale aumenta o risco?

Pode aumentar.

A situação fica mais clara com um exemplo.

Imagine um carro avaliado em R$ 50 mil e um empréstimo de R$ 60 mil.

No primeiro dia, já existe uma diferença de R$ 10 mil entre o valor emprestado e a avaliação inicial do bem.

Além disso, automóveis normalmente se desvalorizam ao longo do tempo.

Depois de alguns anos, aquele carro que valia R$ 50 mil pode valer R$ 35 mil ou R$ 40 mil, enquanto ainda existe saldo relevante do empréstimo.

Isso não significa que o consumidor perderá o veículo apenas porque a dívida ficou maior do que ele vale. Se as parcelas forem pagas normalmente, o contrato segue até a quitação.

O problema aparece na inadimplência.

Como existe alienação fiduciária, o veículo pode ser retomado dentro dos procedimentos previstos para cobrança da dívida.

Depois, o bem pode ser vendido e o dinheiro utilizado para pagar o saldo devedor e as despesas relacionadas.

Entregar o carro não necessariamente zera a dívida

Essa é uma das consequências mais importantes de compreender antes da contratação.

Se o valor obtido com a venda do veículo não for suficiente para quitar tudo o que é devido, o cliente pode continuar responsável pelo saldo restante.

Suponha que, no momento da execução da garantia, a dívida esteja em R$ 45 mil.

Se o veículo for vendido por R$ 38 mil e houver custos relacionados ao processo, pode permanecer uma diferença a ser cobrada.

A lógica inversa também existe. Caso a venda produza valor superior ao necessário para quitar dívida e despesas, o saldo remanescente deve ser destinado ao devedor conforme as regras aplicáveis.

Por isso, “o carro é a garantia” não significa que a responsabilidade financeira esteja limitada ao preço do automóvel.

Quando o empréstimo começa em até 120% do valor do veículo, esse ponto ganha ainda mais peso.

Os 72 meses também precisam entrar na decisão

Prazo longo deixa a prestação mais confortável, mas pode esconder o tamanho da operação.

Imagine que duas propostas ofereçam os mesmos R$ 40 mil.

Uma termina em três anos e possui parcela maior. Outra se estende por seis anos e cabe melhor no orçamento mensal.

A segunda pode parecer automaticamente superior, mas provavelmente manterá o consumidor pagando juros por muito mais tempo.

Também existe a questão do carro.

Durante todo o período em que estiver vinculado à dívida, o veículo permanecerá alienado. Isso pode limitar algumas decisões, como vender o automóvel sem antes resolver a obrigação vinculada a ele.

Por isso, não basta perguntar se a parcela cabe neste mês. É preciso avaliar se existe margem financeira para mantê-la durante anos.

Quando usar o veículo como garantia pode fazer sentido?

A modalidade pode ser útil para substituir dívidas muito mais caras, levantar capital para uma finalidade que produza retorno ou atender uma necessidade financeira relevante.

Se alguém possui empréstimos com juros elevados e consegue consolidá-los em uma operação com CET significativamente menor, existe uma economia mensurável.

Já colocar um carro de R$ 70 mil em garantia para financiar consumo que poderia ser adiado cria uma relação mais delicada entre risco e benefício.

O mesmo vale para contratar o máximo apenas porque o banco disponibilizou.

Ter aprovação para receber 120% do valor do veículo não significa precisar de 120%.

Quanto menor o valor necessário, menor tende a ser o saldo financiado, o volume de juros e a exposição do patrimônio colocado em garantia.

No empréstimo do BV, portanto, a possibilidade de receber mais do que o carro vale amplia o acesso ao crédito, mas também aumenta a importância de olhar além da parcela. O veículo permanece na garagem durante o contrato, mas financeiramente passa a carregar a dívida junto com o proprietário.

ESCRITO POR: Rodrigo Duarte - Jornalista formado pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), com especialização em Marketing Digital.