Dá para ganhar dinheiro fazendo entregas no iFood, Uber Eats ou Mercado Livre

Aplicativos de entrega e logística podem gerar renda extra, mas o ganho real depende de custos, horários, demanda e organização financeira.

Publicado em 27/05/2026 por Rodrigo Duarte.

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Fazer entregas por aplicativo se tornou uma das alternativas mais procuradas por quem busca renda extra, flexibilidade de horário ou uma forma rápida de começar a trabalhar por conta própria. Plataformas de delivery, transporte de encomendas e logística urbana passaram a conectar entregadores, restaurantes, lojas, marketplaces e consumidores em diferentes cidades brasileiras.

Dá para ganhar dinheiro fazendo entregas no iFood, Uber Eats ou Mercado Livre
Créditos: Divulgação

Apesar da popularidade, ganhar dinheiro com entregas exige mais atenção do que simplesmente se cadastrar em um aplicativo e começar a rodar. O valor recebido por rota ou pedido precisa ser comparado com custos de combustível, manutenção, internet, alimentação fora de casa, seguro, desgaste do veículo e tempo parado entre chamadas.

Além disso, nem todas as plataformas citadas pelo público funcionam da mesma forma no Brasil. O Uber Eats, por exemplo, deixou de intermediar entregas de comida de restaurantes no país em 2022, conforme comunicado da própria Uber. A empresa informou na época que passaria a concentrar a estratégia de delivery em outras frentes, como entregas de pacotes pelo Uber Flash e compras de mercados e lojas especializadas.

Como funcionam as entregas por aplicativo

As entregas por aplicativo funcionam como uma intermediação entre quem precisa enviar ou receber algo e trabalhadores cadastrados na plataforma. O entregador utiliza moto, bicicleta, carro ou outro veículo aceito pelo app, recebe chamadas de entrega e é remunerado conforme as regras de cada serviço.

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No iFood, o foco principal está na entrega de refeições e produtos de estabelecimentos parceiros. A plataforma informa que, para entregar, é necessário ter mais de 18 anos, possuir conta bancária e apresentar documentação adequada ao modal escolhido, como CNH para moto ou carro. O cadastro é feito pelo aplicativo iFood para Entregadores.

Na Lalamove, o trabalho é voltado para entregas urbanas sob demanda, incluindo motos, carros utilitários e veículos maiores, dependendo da cidade e do tipo de serviço. A empresa informa que o interessado deve baixar o aplicativo de entregadores, preencher dados pessoais e cadastrar o veículo utilizado.

Já no Mercado Livre Envios Extra, a proposta é entregar pacotes de compradores do marketplace. O aplicativo informa que o entregador pode dirigir pela cidade em dias escolhidos e receber o pagamento pelo serviço na conta Mercado Pago.

Cadastro não significa ganho garantido

O cadastro nas plataformas costuma ser relativamente simples, mas isso não garante volume constante de pedidos. A aprovação pode depender da cidade, da demanda local, da quantidade de entregadores ativos e dos critérios internos de cada empresa.

Em regiões com muitos pedidos, o entregador pode encontrar mais oportunidades em horários de almoço, jantar, fins de semana e datas de maior movimento. Já em áreas com baixa demanda ou muitos trabalhadores cadastrados, o tempo parado entre chamadas pode reduzir bastante o ganho por hora.

Esse ponto é importante porque muita gente calcula a renda apenas olhando para relatos de ganhos brutos. O problema é que o valor recebido no aplicativo não representa automaticamente lucro. O entregador precisa descontar tudo o que gasta para conseguir trabalhar.

Também existe diferença entre fazer entregas como complemento de renda e depender exclusivamente dessa atividade. Como a demanda varia, a renda pode oscilar bastante de uma semana para outra.

Custos com transporte reduzem o lucro real

O principal erro de quem começa a fazer entregas é ignorar os custos do veículo. Moto, bicicleta, carro ou utilitário não são apenas meios de transporte, mas ferramentas de trabalho que exigem manutenção, reposição e cuidados constantes.

No caso de motos e carros, combustível, troca de óleo, pneus, freios, seguro, impostos, revisões e possíveis consertos precisam entrar na conta. Para bicicletas, também existem gastos com manutenção, pneus, corrente, freios, equipamentos de segurança e eventual reposição de peças.

O celular também faz parte da operação. Plano de internet, bateria, suporte para o aparelho e desgaste do equipamento podem parecer gastos pequenos, mas impactam a rotina do entregador.

Outro custo muitas vezes esquecido é o tempo. Ficar esperando chamada, se deslocar até uma região movimentada ou retornar de uma entrega distante sem novo pedido reduz a rentabilidade real do trabalho.

Por isso, calcular apenas quanto o aplicativo pagou em um dia pode gerar uma visão incompleta. O ideal é acompanhar quanto sobrou depois de todos os custos necessários para trabalhar.

Horários de maior movimento podem fazer diferença

A renda com entregas costuma variar bastante conforme horário, região e tipo de plataforma. No delivery de comida, os períodos de almoço e jantar normalmente concentram mais pedidos. Em dias de chuva, fins de semana e datas comemorativas, a demanda também pode aumentar, embora os riscos e dificuldades de deslocamento sejam maiores.

Em entregas de encomendas e logística, a dinâmica pode ser diferente. Plataformas como Lalamove e Mercado Livre Envios Extra podem ter maior movimento em horários comerciais, períodos de alta do e-commerce e regiões próximas a centros de distribuição ou áreas com grande volume de comércio.

Trabalhar nos horários certos pode melhorar o aproveitamento do tempo, mas também exige planejamento. Rodar muitas horas sem pausa aumenta desgaste físico, risco de acidentes e custos operacionais.

Para quem pretende usar entregas como renda extra, pode ser mais eficiente testar horários e regiões por algumas semanas, anotando ganhos e despesas, antes de decidir aumentar a carga de trabalho.

Depender apenas dessa renda pode ser arriscado

As entregas por aplicativo oferecem flexibilidade, mas também carregam instabilidade. O entregador normalmente não tem salário fixo, férias remuneradas, décimo terceiro ou garantia de demanda mínima. Além disso, mudanças nas regras das plataformas, bloqueios de conta, redução de pedidos ou aumento da concorrência podem afetar diretamente a renda.

Também existem riscos ligados à segurança no trânsito, assaltos, acidentes, problemas mecânicos e desgaste físico. Quem depende exclusivamente dessa atividade precisa considerar uma reserva financeira maior para lidar com períodos sem trabalhar.

Outro ponto importante envolve a formalização. Dependendo da plataforma e da atividade, pode ser necessário ou vantajoso atuar como MEI, emitir documentos, organizar contribuições e separar dinheiro para obrigações fiscais. Esse cuidado ajuda a tratar a entrega como uma atividade econômica real, não apenas como dinheiro que entra no aplicativo.

Calcular lucro real é indispensável

A melhor forma de saber se vale a pena fazer entregas é calcular o lucro real por dia, por semana e por mês. Esse cálculo precisa considerar o valor bruto recebido, os gastos com combustível ou manutenção, alimentação, internet, taxas, equipamentos e eventuais despesas extras.

Um entregador que recebe R$ 150 em um dia, mas gasta R$ 50 para trabalhar, não ganhou R$ 150. O resultado real foi muito menor. Se ainda houver manutenção futura do veículo, multas, consertos ou troca de pneus, a margem pode cair ainda mais.

Também é importante observar o ganho por hora efetivamente trabalhada. Se a pessoa passou oito horas disponível, incluindo deslocamentos e espera por chamadas, o rendimento precisa ser analisado com base nesse período completo.

Fazer entregas no iFood, Lalamove, Mercado Livre Envios Extra ou em serviços vinculados à Uber pode gerar renda, especialmente como complemento financeiro. Porém, para virar uma atividade sustentável, o entregador precisa acompanhar custos, escolher bem horários, evitar depender de uma única plataforma e tratar o dinheiro recebido como faturamento, não como lucro automático.

ESCRITO POR: Rodrigo Duarte - Jornalista formado pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), com especialização em Marketing Digital.