Udemy paga 97% com link próprio e 37% no marketplace: quando vale divulgar por conta própria?

Instrutor fica com parcela maior da receita quando gera a própria venda, mas precisa considerar audiência, publicidade e descontos antes de concluir que 97% sempre rende mais.

Publicado em 01/09/2026 por Rodrigo Duarte.

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Publicar um curso na Udemy não significa receber sempre a mesma porcentagem de cada matrícula. A participação do instrutor muda bastante conforme a origem da venda.

Udemy paga 97% com link próprio e 37% no marketplace: quando vale divulgar por conta própria?
Créditos: I.A.

Quando o aluno compra utilizando um cupom ou link de indicação do próprio instrutor, a participação é de 97% da receita líquida da transação. Se a venda acontece pelo marketplace da Udemy sem essa promoção direta, o instrutor recebe 37%.

A diferença de 60 pontos percentuais cria um incentivo evidente para divulgar o próprio curso.

Mas existe uma peça importante nessa conta: conquistar o aluno por conta própria também pode custar dinheiro e tempo. Quem já possui seguidores, lista de e-mails ou audiência em um site pode aproveitar os 97% com custo relativamente baixo. Quem precisa investir pesadamente em anúncios talvez descubra que vender sozinho não é tão lucrativo quanto a porcentagem sugere.

Como funcionam os 97% e os 37%?

A Udemy não cobra taxa para simplesmente criar e hospedar um curso pago. A divisão da receita acontece quando existe uma venda.

Nas vendas originadas pela promoção do próprio instrutor, ele recebe 97% da receita líquida.

Para isso, o aluno precisa utilizar um cupom criado pelo professor ou acessar o curso por seu link de indicação e concluir a compra dentro da janela válida.

Nas vendas que a própria Udemy gera sem participação promocional direta do instrutor, a fatia é de 37%.

Isso pode acontecer, por exemplo, quando uma pessoa encontra o curso navegando pelo marketplace ou chega até ele por ações comerciais realizadas pela própria plataforma.

A diferença remunera justamente quem trouxe o comprador.

Se o instrutor possui a audiência e produz a conversão, fica com parcela muito maior. Se a Udemy encontrou o aluno e gerou a venda, a plataforma retém uma participação maior.

Quanto sobra em um curso vendido por R$ 100?

Para visualizar a diferença, imagine de forma simplificada uma venda cuja receita líquida considerada para a divisão seja exatamente R$ 100.

Se a compra ocorreu pelo link ou cupom do instrutor, sua participação de 97% corresponderia a R$ 97.

Se a mesma receita líquida foi produzida por uma venda comum do marketplace, os 37% deixariam R$ 37 para o professor.

São R$ 60 de diferença.

Em dez vendas com a mesma base, teríamos R$ 970 contra R$ 370.

A conta real pode não partir exatamente do preço que aparece na página do curso. Os percentuais são calculados sobre a receita líquida considerada pela plataforma depois dos elementos aplicáveis à transação, como determinados impostos e taxas de processamento.

Compras realizadas por aplicativos móveis também podem sofrer custos cobrados pelas lojas de aplicativos antes da divisão da receita.

Portanto, 97% não significa necessariamente receber R$ 97 sempre que o aluno vê um preço de R$ 100 na tela.

O link do instrutor continua valendo por quanto tempo?

O link de indicação possui uma janela de atribuição de 24 horas.

Quando alguém clica nesse link e compra o curso dentro desse período, o instrutor recebe o crédito pela venda e participa com os 97% da receita líquida.

Imagine que uma pessoa clique às 15h em um link publicado no Instagram.

Se comprar o curso naquela noite, a venda pode continuar atribuída ao instrutor. Se deixar para concluir a compra vários dias depois, o simples clique anterior não garante a participação de 97%.

Esse detalhe torna importante levar o usuário para uma página na qual exista intenção real de compra.

Os cupons também podem ser utilizados para divulgação e podem oferecer preços específicos dentro das regras disponíveis ao instrutor.

Há, porém, restrições sobre onde esses links e cupons podem ser promovidos dentro da própria Udemy. A ideia é impedir que áreas educacionais dos cursos sejam transformadas em espaços permanentes de publicidade.

Quando divulgar sozinho realmente compensa?

O cenário mais favorável é o de quem já possui público.

Imagine um professor de Excel com 30 mil seguidores em uma rede social e uma lista de e-mails formada por pessoas interessadas no tema.

Publicar um link de indicação para essa audiência praticamente não cria um novo custo variável por venda.

Nesse caso, capturar 97% da receita líquida tende a ser muito mais interessante.

A situação muda quando o instrutor não possui audiência e precisa comprar tráfego.

Suponha novamente uma receita líquida simplificada de R$ 100. A venda direta produz R$ 97 para o instrutor.

Se foram gastos R$ 50 em anúncios para conquistar aquele aluno, sobram R$ 47 antes de outros custos.

Ainda é mais do que os R$ 37 de uma venda hipotética pelo marketplace, mas a vantagem caiu de R$ 60 para apenas R$ 10.

Se o custo de aquisição chegar a R$ 70, restariam R$ 27 e a venda trazida pela plataforma seria mais rentável naquele exemplo.

A porcentagem maior, portanto, não substitui o cálculo do custo para conseguir cada aluno.

Marketplace ainda pode ter bastante valor

Receber 37% parece pouco perto de 97%, mas existe algo importante nessa venda: o instrutor pode não ter feito praticamente nada para encontrar aquele comprador naquele momento.

A Udemy já possui tráfego, sistema de busca, avaliações, campanhas promocionais e uma base mundial de alunos.

Para um professor iniciante sem seguidores, isso pode funcionar como uma vitrine difícil de construir sozinho.

Além disso, alunos adquiridos pelo marketplace podem deixar avaliações, aumentar a quantidade de matrículas e fortalecer a prova social do curso.

Por isso, a estratégia não precisa ser escolher exclusivamente um caminho.

O marketplace pode trazer alunos que o professor nunca alcançaria, enquanto links próprios permitem aumentar a margem sobre a audiência que já consegue mobilizar.

Também existem modelos de receita diferentes, como Udemy Business e planos de assinatura, que seguem outras regras e não devem ser confundidos com a divisão de 97% e 37% das vendas transacionais.

A melhor venda depende de quem encontrou o aluno

O número de 97% é muito atraente, mas ele remunera também o trabalho de distribuição.

Criar conteúdo gratuito, desenvolver audiência, manter redes sociais, produzir newsletters e comprar anúncios têm custos financeiros ou consomem tempo.

Se essa estrutura já existe, o link próprio pode transformar uma parcela muito maior de cada venda em renda para o instrutor.

Se ainda não existe público, os 37% do marketplace podem representar uma venda que simplesmente não aconteceria de outra maneira.

A pergunta mais útil, portanto, não é apenas “qual porcentagem é maior?”. É “quanto me custa trazer esse aluno até o curso?”.

Quando a resposta é quase zero porque a audiência já está construída, os 97% ficam extremamente interessantes. Quando conquistar cada comprador exige investimentos elevados, os 37% gerados pela vitrine da plataforma podem valer mais do que parecem.

ESCRITO POR: Rodrigo Duarte - Jornalista formado pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), com especialização em Marketing Digital.